Cadeiras no Congresso
73
64 deputados • 9 senadores

🌹 PT
Partido com atuação parlamentar em 73 cadeiras no Congresso.
Cadeiras no Congresso
73
64 deputados • 9 senadores
Presidência nacional
Não localizada
Liderança na Câmara
Paulo Pimenta
Liderança no Senado
Camilo Santana
Campo aproximado
Esquerda
Família política aproximada: Esquerda trabalhista.
Como o partido se apresenta
Partido com atuação parlamentar em 73 cadeiras no Congresso.
Análise editorial • Atualizado em 14/08/2026
O Partido dos Trabalhadores foi fundado em 10 de fevereiro de 1980, em assembleia realizada no Colégio Sion, em São Paulo. Reuniu lideranças sindicais do ABC paulista, intelectuais, militantes católicos ligados à Teologia da Libertação, exilados que voltavam ao país e veteranos da luta armada contra o regime militar. Luiz Inácio Lula da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, esteve entre os principais articuladores. A fundação aconteceu no processo de abertura política, poucos meses depois das grandes greves que marcaram a região do ABC entre 1978 e 1980.
A legenda disputou sua primeira eleição em 1982 e ajudou a organizar, nos anos seguintes, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada em 1983, e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), criado em 1984, embora sempre tenha afirmado sua autonomia em relação aos movimentos sociais. Em 1984, o partido aderiu à campanha das Diretas Já, que reivindicava eleições diretas para presidente. Em 1989, na primeira disputa presidencial direta desde 1960, Lula chegou ao segundo turno e perdeu para Fernando Collor. O desempenho consolidou o PT como principal força da esquerda brasileira, com vitórias importantes em prefeituras e governos estaduais ao longo dos anos 1990.
Em 2002, Lula venceu a eleição presidencial e assumiu o primeiro governo do partido, sendo reeleito em 2006. Em 2010, a ex-ministra Dilma Rousseff foi eleita e reeleita em 2014. Em 2016, o processo de impeachment resultou no afastamento definitivo da presidente, em decisão do Senado tomada em agosto daquele ano.
Em 2018, Lula estava preso em Curitiba em decorrência de condenações da Operação Lava Jato e teve a candidatura barrada com base na Lei da Ficha Limpa; o partido lançou Fernando Haddad. Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula, ao declarar a suspeição do ex-juiz Sergio Moro e a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba. Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e tomou posse em janeiro de 2023 para o terceiro mandato.
O partido construiu uma cultura organizativa rara na política brasileira: diretórios na quase totalidade dos municípios, filiação numerosa e correntes internas que disputam teses, direções e candidaturas em encontros periódicos. Essa estrutura ajudou a legenda a sobreviver a derrotas e crises, mas também alimentou debates permanentes sobre o peso das tendências e o comando do partido.
Nos anos 1980 e 1990, o partido também construiu vitrines de gestão: elegeu Luiza Erundina prefeita de São Paulo em 1988, administrou Porto Alegre com o orçamento participativo a partir de 1989 e governou o Rio Grande do Sul com Olívio Dutra entre 1999 e 2002. Essas experiências foram apresentadas pela legenda como exemplos do chamado modo petista de governar.
O estatuto do PT o define como uma organização política de caráter socialista, comprometida com a construção de uma sociedade democrática e sem exploração. Na prática, o partido combina esse discurso com a defesa da democracia representativa, dos direitos trabalhistas, da reforma agrária e de políticas de redistribuição de renda. Os programas de governo vitoriosos em 2002 e 2022 deram ênfase à inclusão social, ao mercado interno e ao papel do Estado no desenvolvimento.
Internamente, convivem correntes organizadas que vão de posições moderadas, hegemônicas nas últimas décadas, a grupos autodeclarados revolucionários, com peso pequeno nas direções. A experiência dos governos federais, marcada por alianças com partidos de centro e de centro-direita, gerou sucessivos debates internos sobre os limites do que o partido chama de participação democrática.
No plano internacional, o PT se identifica com a tradição da esquerda democrática latino-americana e participou da criação do Foro de São Paulo, encontro de partidos e organizações de esquerda realizado pela primeira vez em 1990. A centralidade de Lula é outro traço marcante: o presidente Lula concentra boa parte do capital eleitoral do partido, o que torna a sucessão interna um tema permanente.
O partido também defende a reforma agrária e a demarcação de terras indígenas, pautas que o colocam em atrito frequente com a bancada ruralista no Congresso.
Desde os anos 1990, o PT mantém uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados e a maior da esquerda brasileira. O partido presidiu a Câmara com João Paulo Cunha (2003-2005) e Arlindo Chinaglia (2007-2009). Durante os governos de 2003 a 2016 e novamente a partir de 2023, a bancada foi o núcleo da base aliada, responsável por aprovar programas como o Bolsa Família e as principais pautas econômicas e sociais dos governos petistas.
No Senado, o partido teve bancadas expressivas e ocupou cargos de liderança do governo. A relação com o Congresso, porém, nunca foi tranquila: a necessidade de construir maiorias com partidos de perfil conservador foi fonte constante de atritos, tanto com a oposição quanto com alas internas.
O partido esteve no centro de dois grandes escândalos noticiados nas últimas duas décadas. Em 2005, veio a público o esquema conhecido como mensalão, descrito pela imprensa como compra de apoio parlamentar. Em 2012, o STF condenou dirigentes da legenda, entre eles o ex-ministro José Dirceu, por crimes como corrupção ativa e lavagem de dinheiro; as condenações foram objeto de recursos e as penas, executadas conforme a legislação penal.
A partir de 2014, a Operação Lava Jato atingiu o partido com condenações de primeira e segunda instância contra Lula, que ficou preso entre 2018 e 2019. Em 2021, o STF anulou as condenações ao declarar a suspeição do juiz responsável e a incompetência do foro. O partido sempre negou as acusações e classificou os processos como perseguição; os desfechos judiciais continuam a gerar interpretações opostas entre apoiadores e críticos.
Análise assinada pela equipe editorial do QuemVotar (Equipe QuemVotar). Este texto não representa recomendação de voto nem posição do partido.
Esta página resume a presença do Partido dos Trabalhadores (PT) no Congresso Nacional, incluindo tamanho da bancada, lideranças localizadas e caminhos para fontes oficiais. A composição parlamentar pode mudar por migrações partidárias, licenças, suplências e atualizações das casas legislativas.
Campo político e família partidária são classificações aproximadas para navegação. Elas devem ser lidas junto com votos, projetos, atuação das lideranças e informações oficiais do partido.