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Partido Liberal

Partido com atuação parlamentar em 114 cadeiras no Congresso.

DireitaLiberal-conservador

Cadeiras no Congresso

114

98 deputados • 16 senadores

Presidência nacional

Não localizada

Liderança na Câmara

Bia Kicis

Liderança no Senado

Carlos Portinho

Identidade política

Campo aproximado

Direita

Família política aproximada: Liberal-conservador.

Como o partido se apresenta

Partido com atuação parlamentar em 114 cadeiras no Congresso.

Análise editorial • Atualizado em 14/08/2026

Uma sigla com duas histórias

A atual sigla PL reúne duas histórias. O Partido Liberal original foi fundado em 1985, no fim do regime militar, por políticos liberais como Álvaro Valle, e participou das primeiras eleições da redemocratização. Em 2006, essa legenda se fundiu com o PRONA, partido conservador criado pelo médico Enéas Carneiro, dando origem ao Partido da República (PR).

O PRONA elegeu deputados federais e ficou conhecido pelo discurso nacionalista de seu fundador; a fusão de 2006 incorporou parte dessa militância ao PR.

O PL original participou da Assembleia Constituinte de 1987-1988 e apoiou sucessivos governos da Nova República, com expressão eleitoral limitada, concentrada em poucos estados. Sua base era concentrada em poucos estados, e a legenda funcionava como força auxiliar das coalizões da época.

Sob o comando de Valdemar Costa Neto, o PR cresceu como parte do chamado centrão, participando de governos de diferentes campos. Entre 2006 e 2019, a legenda apoiou os governos de Lula e Dilma, integrou a base de Michel Temer e, a partir de 2019, aproximou-se do governo Bolsonaro, indicando ministros. Em 2019, em convenção nacional, o partido aprovou a volta do nome Partido Liberal.

A virada ocorreu em 2021, quando Jair Bolsonaro, então presidente da República, filiou-se à legenda para disputar a reeleição. A entrada do presidente e de seus aliados acelerou a migração de políticos bolsonaristas para o partido, que já vinha crescendo desde 2018.

Entre 2019 e 2021, o partido cresceu também com a migração de parlamentares vindos do PSL e de outras legendas, muitos deles ligados ao governo Bolsonaro. A soma dessas migrações à estrutura antiga do centrão fez do PL, em pouco tempo, a maior força partidária da direita brasileira.

O partido manteve o número eleitoral 22, herdado do Partido Liberal original e usado também pelo PR. Na eleição de 2022, além da bancada da Câmara, a legenda elegeu governadores como Cláudio Castro, no Rio de Janeiro, e Jorginho Mello, em Santa Catarina.

Na eleição de 2022, o PL elegeu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 99 cadeiras, e se tornou a principal força de oposição ao governo eleito naquele ano. A legenda também elegeu senadores e governadores e passou a concentrar a maior parte do eleitorado identificado com o bolsonarismo.

O presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, comanda a legenda há décadas, o que o torna uma das figuras mais influentes do centrão. Essa combinação — um comando antigo e uma base eleitoral nova, formada ao redor de Bolsonaro — define o perfil atual do PL.

Liberal na economia, conservador nos costumes

O PL se apresenta como um partido liberal na economia e conservador nos costumes. Seu programa defende a redução do tamanho do Estado, a liberdade econômica, a segurança jurídica e pautas duras de segurança pública. No campo dos costumes, a legenda alinha-se a posições conservadoras, como a defesa da família e a oposição ao aborto.

A chegada de Bolsonaro e de sua base tornou o partido o principal veículo eleitoral do bolsonarismo, fenômeno descrito pela imprensa como a união entre conservadorismo de costumes e liberalismo econômico. Internamente, convivem alas com perfis diferentes: parlamentares ligados ao centrão, herdeiros da história do PR, e quadros vindos do bolsonarismo.

Nas eleições municipais de 2024, a legenda ficou entre os partidos que mais elegeram prefeitos no país, sinal do crescimento da estrutura partidária fora do Congresso. O partido também investe na formação de candidaturas próprias para as eleições presidenciais seguintes, com Bolsonaro como principal liderança.

A legenda também defende a pauta armamentista e o endurecimento de penas, temas centrais do discurso de Bolsonaro e de seus aliados no partido. No plano institucional, a bancada costuma criticar decisões do STF que considera expansivas, e as propostas que limitam a atuação dos ministros seguem em tramitação no Congresso.

A maior bancada da Câmara

Com 99 deputados eleitos em 2022, o PL formou a maior bancada da Câmara na legislatura iniciada em 2023, à frente de PT e União Brasil. A bancada liderou a oposição ao governo Lula, com atuação forte em pautas de segurança, costumes e economia, e apoiou a reeleição de Arthur Lira à presidência da Câmara em 2023.

No Senado, a bancada do partido também cresceu e passou a disputar o protagonismo da oposição. O partido indicou ministros em governos de diferentes campos e mantém, por meio do centrão, canais de negociação com o governo, mesmo na condição de principal bloco oposicionista.

O partido indicou ministros no governo Bolsonaro, entre eles o do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e manteve cargos de comando em comissões e relatorias. Mesmo na oposição ao governo Lula, a bancada negociou pautas pontuais com o Planalto.

Condenações e questionamentos eleitorais

Valdemar Costa Neto, presidente da legenda, foi condenado pelo STF em 2012 no processo do mensalão, por fatos ocorridos quando a sigla ainda era o Partido Liberal original. Ele foi sentenciado por corrupção ativa e lavagem de dinheiro e cumpriu parte da pena; sempre negou as acusações.

Em 2022, o partido apresentou à Justiça Eleitoral pedidos de auditoria e questionou a confiabilidade do resultado da eleição presidencial. O TSE rejeitou os pedidos e, em 2023, multou a legenda em R$ 22,9 milhões, em decisão que apontou litigância de má-fé. O partido recorreu e nega irregularidades.

A relação entre a legenda e o ex-presidente Bolsonaro também é tema de atenção permanente, uma vez que ele concentra a liderança política do partido e responde a processos no STF, em situações acompanhadas pela imprensa.

Fontes desta análise

Site oficial do PLRegistro no TSEDados abertos da Câmara

Análise assinada pela equipe editorial do QuemVotar (Equipe QuemVotar). Este texto não representa recomendação de voto nem posição do partido.

Como interpretar este partido

Esta página resume a presença do Partido Liberal (PL) no Congresso Nacional, incluindo tamanho da bancada, lideranças localizadas e caminhos para fontes oficiais. A composição parlamentar pode mudar por migrações partidárias, licenças, suplências e atualizações das casas legislativas.

Campo político e família partidária são classificações aproximadas para navegação. Elas devem ser lidas junto com votos, projetos, atuação das lideranças e informações oficiais do partido.

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