Cadeiras no Congresso
47
38 deputados • 9 senadores

🏛️ MDB
Partido com atuação parlamentar em 47 cadeiras no Congresso.
Cadeiras no Congresso
47
38 deputados • 9 senadores
Presidência nacional
Não localizada
Liderança na Câmara
Isnaldo Bulhões Jr.
Liderança no Senado
Eduardo Braga
Campo aproximado
Centro
Família política aproximada: Centro democrático.
Como o partido se apresenta
Partido com atuação parlamentar em 47 cadeiras no Congresso.
Análise editorial • Atualizado em 14/08/2026
O MDB é um dos partidos mais antigos do Brasil. Foi criado em 30 de junho de 1966, depois que o Ato Institucional nº 2 extinguiu os partidos existentes e instituiu o bipartidarismo, com a ARENA, que apoiava o regime militar, e o MDB, que reunia a oposição. O partido nasceu, portanto, como uma oposição consentida, mas cresceu até se tornar a principal força contrária à ditadura.
Nos anos 1970, o MDB obteve vitórias eleitorais importantes, como nas eleições de 1974, e passou a abrigar desde moderados até setores da esquerda. Com a reforma partidária de 1979 e a volta do pluripartidarismo, a sigla passou a se chamar PMDB.
Na década de 1980, o partido esteve no centro da redemocratização: participou da campanha das Diretas Já, venceu a eleição indireta de 1985 com Tancredo Neves, que morreu antes de tomar posse, e entregou a Presidência a José Sarney, seu vice. Ulysses Guimarães, principal líder da legenda, comandou a Assembleia Constituinte que promulgou a Constituição de 1988.
Nas décadas seguintes, o PMDB integrou praticamente todas as coalizões federais, tornando-se conhecido pela capilaridade: filiados em quase todos os municípios e presença permanente em ministérios, governos estaduais e prefeituras. Integrou a base de Fernando Henrique Cardoso a partir de 1996 e foi o principal aliado dos governos Lula e Dilma, até o rompimento que levou ao impeachment de 2016.
Em 2016, o partido chegou à Presidência com Michel Temer, vice de Dilma Rousseff, que assumiu após o impeachment e governou até o fim do mandato, em dezembro de 2018. Em 2017, a legenda voltou a se chamar MDB, em decisão de convenção nacional. O partido tem uma cultura de acomodação de correntes regionais: na prática, cada diretório estadual funciona com grande autonomia, o que ajuda a explicar sua longevidade.
No plano institucional, o partido presidiu a Câmara dos Deputados com Ulysses Guimarães (1989-1991), Michel Temer (1997-2001) e Henrique Eduardo Alves (2013-2015), além de longos períodos no comando do Senado. Na década de 1980, o PMDB também governou o Rio de Janeiro com Moreira Franco (1987-1991).
Em 1998, o partido lançou Itamar Franco à Presidência, com votação inexpressiva; nos anos 1990, a legenda também elegeu governadores em estados importantes do Sul e do Nordeste.
Entre 2001 e 2019, senadores do partido presidiram o Senado na maior parte do período, com Ramez Tebet, José Sarney, Renan Calheiros, Garibaldi Alves e Eunício Oliveira.
O MDB sempre se definiu como um partido de centro, sem bandeiras ideológicas rígidas. Seus documentos falam em desenvolvimento, democracia e justiça social, mas o traço mais duradouro é a vocação de abrigar correntes diversas: a legenda já elegeu desde políticos identificados com a esquerda até nomes ligados ao conservadorismo.
Essa característica é apresentada pelos dirigentes como virtude — a capacidade de construir pontes e governar com base no diálogo — e pelos críticos como falta de identidade programática, com o partido funcionando como um grande guarda-chuva de interesses regionais.
Na prática, o programa do partido combina defesa do setor público com abertura ao capital privado, políticas sociais com ajuste fiscal, em um equilíbrio que muda conforme o governo de plantão. A autonomia dos diretórios estaduais é outro traço marcante: muitas vezes, o MDB de um estado apoia um candidato a presidente diferente da orientação nacional, prática tolerada pela direção.
O partido também se orgulha de sua história de resistência ao regime militar, lembrada em documentos e eventos oficiais da legenda. Essa memória convive com a imagem atual de força governista: para os dirigentes, ocupar ministérios é a forma de garantir recursos e influência para as bases municipais, prioridade histórica da sigla. A expressão partido de centro é usada pela própria legenda em seus materiais oficiais.
O MDB é tradicionalmente o partido com o maior número de filiados do país e um dos que mais elegem prefeitos e vereadores, posição que manteve por décadas, embora disputada de perto por PSD e PL nas eleições municipais de 2024.
No Congresso, o partido manteve bancadas grandes na Câmara e no Senado, presidiu o Senado em vários períodos, com José Sarney e Renan Calheiros, e integrou as bases de praticamente todos os governos desde a redemocratização. Em 2016, o processo do impeachment levou o vice-presidente Michel Temer à Presidência, onde permaneceu até 2018.
Após 2018, a legenda perdeu espaço na coalizão do governo Bolsonaro, mas seguiu como força relevante. Nos primeiros anos do governo Lula, manteve posição de independência com diálogo, indicando cargos em diferentes momentos.
Nas eleições de 2022, a legenda reelegeu o governador do Pará, Helder Barbalho, e manteve presença em estados do Norte e do Nordeste. Por ser uma das maiores legendas em filiados e votos, o partido também recebe uma das maiores parcelas do fundo partidário, o que sustenta sua estrutura em todo o país.
A trajetória do partido é marcada por investigações envolvendo lideranças. Em 2019, o ex-presidente Michel Temer chegou a ser preso preventivamente por decisão da primeira instância, em investigação sobre supostas irregularidades envolvendo o Porto de Santos; a prisão foi revogada dias depois pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Temer sempre negou as acusações.
Renan Calheiros, um dos principais líderes da legenda, foi alvo de inquéritos e denúncias noticiados ao longo dos anos, sempre negando irregularidades. O partido também convive com a imagem, difundida na imprensa, de força do chamado centrão, bloco informal que negocia apoio em troca de cargos e emendas, imagem que seus dirigentes contestam.
Análise assinada pela equipe editorial do QuemVotar (Equipe QuemVotar). Este texto não representa recomendação de voto nem posição do partido.
Esta página resume a presença do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) no Congresso Nacional, incluindo tamanho da bancada, lideranças localizadas e caminhos para fontes oficiais. A composição parlamentar pode mudar por migrações partidárias, licenças, suplências e atualizações das casas legislativas.
Campo político e família partidária são classificações aproximadas para navegação. Elas devem ser lidas junto com votos, projetos, atuação das lideranças e informações oficiais do partido.